Ação de preço do BTC ainda está subordinada ao contágio da quebra da FTX, mas o Bitcoin pode voltar a testar a região de suporte que se sustentou entre meados de junho e o início de novembro caso nenhum novo evento grave ocorra.

Novembro chega ao fim frustrando as expectativas dos traders que esperavam uma repetição da ação de preço do Bitcoin (BTC) similar a anos anteriores naquele que é, historicamente, um dos meses mais positivos do ano para a maior criptomoeda do mercado.

Além das condições macroeconômicas incertas, a crise de liquidez que resultou na falência da FTX amplificou as desvantagens para os traders do Bitcoin que em 8 de novembro viram o suporte em torno de US$ 18.000, que vinha sustentando o preço do BTC por cinco meses, ser fortemente violado.

Com uma queda acumulada de 21,1% no mês até agora, novembro de 2022 ecoa o inverno cripto de 2018-2019, anos em que o Bitcoin caiu respectivamente 36,5% e 17,2%, de acordo com dados da Coinglass.

No fechamento semanal do último domingo, 27, o Bitcoin conseguiu estancar minimamente os prejuízos desencadeados pelo colapso da FTX e consolidou uma tímida vela verde de alta de 0,9%.

Embora os temores de contágio da FTX ainda estejam longe de se dissipar, os mercados de ativos de risco mostraram-se otimistas com os termos da ata do Banco Central dos EUA (Fed) divulgada na última quarta-feira. Parece estar se consolidando um entendimento de que chegou a hora de reduzir o ritmo dos aumentos nas taxas de juros na maior economia do planeta.

Além da alta semanal do BTC, os mercados de ações dos EUA também fecharam em território positivo, com o S&P 500 subindo 1,5% e o índice Nasdaq subindo 0,6%, apesar do feriado de Ação de Graças nos EUA na quinta e na sexta-feira terem limitado o volume de negociações na semana que passou.

Deixando um pouco de lado os problemas inerentes ao próprio mercado de criptomoedas e voltando-se novamente para o cenário macroeconômico mais amplo, nesta semana os traders ficaram atentos aos dados a serem divulgados nos EUA e na Europa, especialmente a inflação norte-americana medida pelo PCE, o principal índice monitorado pelo FED para a condução de sua política monetária. O índice que mede a variação mensal das despesas de consumo pessoal será divulgado na próxima quinta-feira, 1º de dezembro.

Uma ameaça adicional que se soma à recente turbulência do mercado especificamente no caso do Bitcoin é a probabilidade de que os mineradores encarem em breve um novo evento de capitulação. 

A queda do Bitcoin no mercado à vista e a manutenção da dificuldade da rede em níveis historicamente altos têm tornado a margem operacional dos mineradores bastante exígua e se não houver um realinhamento de ambos os fatores, ou mesmo de apenas um deles, uma nova liquidação de ativos por parte destas entidades que têm um papel central na dinâmica de preço do BTC já é esperada, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente.

Perspectivas de curto prazo

Em uma análise exclusiva para o Cointelegraph Brasil, o fundador da Crypto Investidor Diego Consimo avalia as perspectivas de curto prazo para a ação de preço do BTC.

Segundo Consimo, caso o Bitcoin consiga sustentar o suporte na mínima atual do ciclo e não houver nenhum efeito colateral grave fruto da falência da FTX, o objetivo momentâneo é recuperar a região do antigo suporte de US$ 18.000, que vinha sendo mantido desde meados de junho até 8 de novembro:

“Como podemos observar, a principal região de suporte neste momento encontra-se em US$15.500. Se o Bitcoin conseguir se manter acima desse nível, será inevitável um teste entre US$18.000 a US$20.000 nos próximos dias, e com grandes chances de rompimento.”

Neste cenário, o analista vislumbra o Bitcoin testando o topo da sua Linha de Tendência de Baixa (LTB) em torno de US$ 22.000. 

“Esse teste da LTB ocorreria em conjunto com o rompimento da LTB do RSI [índice de força relativa] no gráfico semanal, e esse tipo de comportamento tem muita força, ainda mais que no momento temos uma divergência Bullish no gráfico semanal”, afirma Consimo.

Diante de novas notícias negativas inesperadas, como a confirmação da insolvência e uma eventual falência da Genesis Trading, os alvos de baixa encontram-se entre US$ 12.000 e US$ 10.000, podendo chegar até a US$ 6.000 em caso de um novo evento catastrófico, sugere o analista.

A confirmação da falência da BlockFi nesta segunda-feira, embora não seja exatamente inesperada, dada a situação da empresa desde o colapso do fundo de hedge de criptomoedas Three Arrows Capital (3AC) em junho deste ano, também pode adicionar pressão negativa sobre o preço do BTC no curto prazo.

Ambos os cenários são delineados pelo analista da Crypto Investidor no gráfico abaixo.

Gráfico semanal anotado BTC/USDT (Binance). Fonte: Crypto Investidor

O Bitcoin abriu a semana que vai consolidar o fechamento mensal de novembro em baixa de 1,9% nas últimas 24 horas e está cotado a US$ 16.220 no início da noite desta segunda-feira, de acordo com dados do CoinMarketCap.

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